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quarta-feira, 17 de julho de 2013

Se ele não está por aqui eu acho que tá, e isso que vale....

Ultimamente eu tenho pensado tannnnto, mas tannnnto no meu avô Sebastião. Já faz tempo que to pensando em escrever sobre esse assunto quando agora, sentada no sofá cansada e de pijama, solto um "corpo ruim".... Ah isso foi o limite...

De fato ele pode estar por aqui, porque ele sabe de onde estiver que estou passando por um momento difícil e que a leveza do seu gênio - quando ele queria é claro - me faz uma falta. Se tem coisa que sinto sobre meu avô Sebastian é uma saudade boa, uma sensação de ter vivido tudo que tínhamos pra viver.

Nessa fase que to passando com o outro avô, o Lauro, que também foi - e ainda é - muito presente na minha vida, mas de outra forma até pela diferença de idade, etc... Meu avô Sebastião sempre foi um senhor.... Ele tinha outras netas mais velhas, 4 antes de mim.... Eu não era uma favorita, mas era uma "maroca", que ouvia do meu pai, coisa que ele aprendeu com o seu "o papai não dá, não vende e não empresta"..... Lembro dele brincando com o Fe pequenininho, nossa, ficava com aquele neto temporão pra cima e pra baixo, o "tramboinho". Depois veio o Daniel, que ele já era mais velho, mas que sempre se deu bem, e que o Daniel por muito tempo falava, hoje não sei como está isso na cabeça dele.....

Como eu dizia o jeito maroto do meu avô era tudo que eu precisava pra minha vida, mas nesse momento um pouco mais. Muito mais. Nervos a flor da pele por n motivos... Meu avô daria uma risada gostosa sem todos os seus dentes, ou com a sua dentadura que, nos últimos anos de vida ele fez questão de usar apesar da dor que causou pra ele. Certamente teríamos conversa sobre energia renovável, ele me chamaria de zoiuda, e diria que não gostava de mim, e que eu falo rápido demais, e na sequência ia rir muito pelo fato de não entender tudo. Qualquer pessoa ficaria brava, ele ria. Seria a sabedoria dos 80+?

Sebastian, que sempre tirava uma onda com todo mundo... Suas frases típicas:

Aniver de 90 anos - peguei do fcb do Dalton
"come viu, pra depois não sair falando"
"teve bom!"
"você sabe que eu não gosto de você, né?!" rindo, gargalhando
"repete 'paca tatu cotia não'."
"escreve ai um 'i' com pingo em cima"
"nossa, você viu que loucura, gente que nunca morreu tá morrendo"

E quando ficava bravo com alguma coisa:

"Ahhhh praga dos quintos"

E quando encontrava alguém que tinha engordado, "nossa é gostoso abraçar você, é tão macio" kkkkk! E para os negros "Ih Dora, esse ai nasceu depois das 18h"... Sem preconceito ele falava, mas era uma forma de já ir brincando com todo mundo, até porque de branquinho ele não tinha nada.

Sempre brincando e sempre rindo e sempre se divertindo. Desde que nasci meus dois avôs já eram aposentados. O Sebastian tinha outro ritmo, tirava uma pestana depois do seu almocinho.... Geralmente uma pratada de arroz com feijão - Serra de Botucatu - e alguma "mistura". Não, não comia salada.... Assistia Chaves e morria de rir, e deitava no sofá e cobria os olhos com um lencinho por causa da claridade.

Relendo o texto e adicionado a legenda lembrei que ele falava fluentemente "a língua dos mortos"... Ele trocava as vogais, entao meu nome virava "Gaisbrinisenterlais".... Isso veio da época em que ele trabalhava na prefeitura e se foi ele ou não quem ensinou ao Dalton eu não sei, só sei que só dos dois se entendiam....

Sentia um frio e portanto entendia que todo mundo também sentia. Não podia ver ninguém dormindo que lá vinha ele com um cobertor, ou "manta" nas palavras dele. De tanto que prestei atenção no frio dele parece que peguei isso pra mim.... Juntava as duas mãos e fazia um barulhinho no sopro...

Meu avô também tinha outra coisa diferente da maioria dos homens que nasceu em 1917, ele ia pra cozinha. Churrasco rolando e ele já ia adiantando as coisas, lavando as louças usadas... Quantas vezes não vi meu avô descascar batata e espremer pra minha avó fazer gnochi (nunca sei escrever isso e não vou olhar no google porque não to afim), e quantas vezes ele não fez bombocado.... E no seu humor peculiar ele ficava olhando o leite ferver pra minha avó.... Mas ele só olhava.... O leite fervia, esparramava minha avó ficava doida, e ele dizia rindo "você me disse pra olhar, eu olhei". Kkkkk....

Sempre cheiroso, não sentia mais cheiros, então fazia questão de estar perfumado, consigo me lembrar do cheiro. Dormia cedo, e ele usava mais cobertor que a Dora. Já deixava tudo preparado pro café da manhã do dia seguinte - isso eu puxei total pra ele, se eu pudesse tomava o café antes de dormir pra adiantar, o mania de adiantar que ele tinha..... E enquanto o tio Tô morou com eles tinha mamão e kiwi picadinho de manhã.... Sensacional.

Sempre leu seu Estadão de cabo a rabo diariamente, até a vista ficar meio ruim e uma vez a tia Neide aparecer com um treco que parecia uma lupa pra colocar tipo um chapéu... Sei lá... Com ele também não tinha miséria. Acho que a infância difícil fez com ele exagerasse um pouco, tipo comer 6 bananas de uma vez só, chupar 4 laranjas seguidas, e assim vai. Meu pai pegou isso, e a tia Neide também. A Neusa não tenho certeza, mas desconfio... O Nilton acho que é o mais consciente dos filhos, rs rs....

Engraçado, guardava tudo e achava bom ter 3 botijões de gás em casa, afinal vai que tem uma guerra, é bom armazenar! Aliás, nessas últimas manifestações ele certamente diria que ia querer "o verde oliva" de novo no poder.

Super saudade boa e sentimento bom de lembrar disso tudo e escrever isso tudo e pensar que tem muito mais dentro de mim.... Isso não acaba nunca.... Obriga por tudo Sebastian, se você estiver mesmo por aqui está me fazendo mais feliz... Se não estiver está nos meus pensamentos, portanto estou mais feliz!

Um comentário:

  1. Tô "engasgada" de tanta emoção!!!
    Ai Gá, você falou tudo....como foi IMPORTANETE termos convivido com o vovô. Quanta falta ele faz.
    O bom de tudo é saber que o amaremos pra sempre.

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