Marcadores

Da Gabi (161) Dos queridos (54) Amor (48) Por aí (35) Família (29) Dicas (28) Comidas (18) Viagem (16) Chatices (15) Esportes (13) Trabalho (12) Livros (9) Música (9) Crianças (5) Sampa (3) Filmes (2) Moda (2) PequenasFelicidades (1)

Instagram

quinta-feira, 6 de setembro de 2018

Um pedaço da minha identidade - Vovó Dora

Outro dia estava assistindo ao Papo de Segunda no GNT e o Chico Bosco falava da comoção dos brasileiros com o incêndio no Museu Nacional, ele disse: "... o que as pessoas estão sentindo é uma dor profunda precisamente naquilo que elas consideram que é fundamental pra nossa identidade...". Ele se referia a cultura, a perda dessa identidade do Brasil(eiro) com o tal incêndio....

Isso imediatamente me conectou com a última e recente perda, da qual não fiz alarde pra me preservar, pra tentar passar por cima, como se fosse possível: a perda da minha avó Dora. Quando comento com as pessoas eu digo: ela já estava velhinha, e já não vivia bem (no sentido de saúde, independência, liberdade...) fazia tempo. Eu lembrava e lembro de como seria um egoísmo enorme querer que ela continuasse aqui só pra fazer a gente feliz com a presença dela, ainda que felicidade não fosse exatamente a palavra ao vê-la tão debilitada.

Nossa última foto juntas - mar/2017

Eu já estava me preparando fazia tempo, é verdade, mas também é verdade que nunca estamos totalmente preparados pra perder a nossa identidade. Pensar nisso tudo me faz sofrer. Me dá um misto de tristeza pela perda física, pela perda dos meus tios e primos, uma coisa de alívio por saber que agora ela tá bem, e um buraco da minha identidade que foi embora...

Mas ai eu penso numa coisa que já reflito há algum tempo: eu ainda sou essas pessoas que perdi. É tão certa a história da identidade que de verdade a gente sente o buraco, mas é tão parte de nós que não dá pra achar que minha avó não está mais aqui, porque eu sou ela.

Como falei rapidamente no instagram "todos os meus aniversários e chás de cidreira serão eternamente seus". Se fosse só isso... Além dela também ter nascido no 5 de outubro, e todo ano até o ano passado ser uma guerra pra ver quem ligaria primeiro (kkkk), eu tenho tanto da minha vó. O cheiro do chá de cidreira é ela, e só ela. O cozinhar pra galera. O cuidado com as panelas favoritas. O amar pão. A neurose com o tamanho da bunda. O gostar de ficar de boa e meio quieta. A maneira de tentar maximizar os recursos. O querer saber das fofocas da família rsrsrs. São tantas coisinhas que fazem eu ter certeza de que ela ainda está aqui que quase não me permito ficar triste, porque afinal de contas quem vive 36 anos e ainda tem avós vivos e presentes? Eu tive! Mais sorte que isso é só SER as pessoas que já se foram. Eu sou um pouco Dona Dora e quero muito que ela esteja feliz e bem junto da galera que já partiu dessa vida muito louca....

Vou ali fazer um chá de cidreira pra eu tomar quietinha me conectando com ela. Cheers.

segunda-feira, 20 de agosto de 2018

SDU - CGH | De volta a Sampa

No fundo no fundo eu queria muito ser carioca. Carioca no meu estereótipo do carioca, que é: moreno de sol, saudável, sports lover, e leve. Ficava me imaginando uma mãe linda com uma filhinhos queimadinhos pelo sol, e que tomam suco verde. Me enxergava me tornando uma tiazona saudável, de biquini de lacinho, nutrida por açaí e água de coco. Muitas vezes fui ao RJ a passeio. Muitas vezes achei que aquela sim era a forma equilibrada de se viver. Sempre gostei da leveza, do sair de rasteirinha, do não secar o cabelo e de encontrar a beleza natural das pessoas.


Quando surgiu a oportunidade de ir morar no RJ obviamente me deu um medinho. A segurança está uma bomba... O carioca tem uma fama terrível... Mas sei lá, eu (e o Re também) fomos total de coração aberto. A gente tinha certeza de que todos os cariocas seriam como os nossos amigos cariocas, que conhecemos fundamentalmente enquanto eles moravam moravam em SP.... As pessoas diziam "Rio não é São Paulo", e eu pensava, "mas porra, estamos falando de uma capital, de uma cidade grande, não deve ser tão diferente assim."

Mal sabia eu que "tão diferente assim" era eu.

Muita gente sempre me viu muito parecida com os cariocas. Concluo que o que temos de parecido é a melanina, a apreciação da beleza natural,  e talvez o gosto pelas estampas da Farm, que ainda assim, tenho alguma dificuldade de combinar bem.

Pra além disso, descobri que eu gosto de praia por tempo e temperatura limitados, e meu amor pela infra no geral é tão grande que eu de fato considero o RJ uma boa praia. Não quero ter que fazer trilha nenhuma pra chegar em praia linda, vazia, e água limpíssima. Na verdade eu nem ligo pra dar um mergulho, faço isso muito mais pra "tirar a urucubaca" do que por vontade de me refrescar. Inclusive já saio correndo pro chuveirinho de agua doce, porque odeio o meu cabelo cheio de sal. Também detesto a ideia de ir almoçar direto da praia com o biquini molhado embaixo da roupa. Acho desconfortável, feio, molha tudo...

Esportes? Prefiro com temperatura controlada... Não, não subi a pedra da Gávea, nem o Pão de Açúcar, e nem vou acordar as 5h da manhã pra correr. Não, obrigada!

Eu gosto mesmo é das coisas certinhas. Não quero ter que negociar com o vendedor de zona azul pelo preço de uma vaga, simplesmente porque a vaga tem um preço por um período determinado, fim. Não quero arranjar um jeito, e nem dar uma caixinha, uma cerveja, um almoço. Não quero, porque não é certo. Também acho que quando o carro estiver sujo eu tenho que levar num lava rápido. Não quero que o carro apareça limpinho na garagem do prédio porque não concordo com o funcionário do prédio usar o tempo e a água do condomínio pra fazer trabalho para os moradores.

Me fazia mal morar no bairro mais caro da cidade e ver vasilha de água pro cachorro escrito "I'M THE BOSS" ao lado de um mendigo todo sujo pedindo por comida, dinheiro, água...  Eu ficava nervosa ao ouvir alguém martelando qualquer coisa porque realmente achava que podia ser tiro. E me irritava sempre que precisava dizer que era moradora da cidade ao alugar uma cadeira na praia ou pedir uma água de coco, para assim não ser cobrada como turista (!!!!). Me irritava todas, todas, todas as vezes que um ciclista passava em altíssima velocidade na calçada, driblando idosos, crianças, quase fazendo strikes nos pedestres. Isso não pode ser normal. É pra se acostumar com isso, gente?

Exagero? Pode ser... Pode ser também que os hormônios tenham me deixado muito menos flexível (tenho certeza que influenciaram muito). Mas dia após dia isso vai irritando num nível que eu só conseguia me sentir um peixe fora d'água, uma paulistana séria, dura e inflexível.

Claro que nem tudo foi ruim. No RJ eu aprendi:

  • a fazer compras mais leves pra poder carregar em uma ou duas ecobags e voltar andando pra casa
  • que açaí bom é com pouco xarope e banana batida
  • que não secar o cabelo não mata ninguém, mas que dá um belo up no visual
  • que melanina é a melhor maquiagem, e que não há filtro no instagram que retrate isso tão bem
  • que padaria boa mesmo é a The Slow Bakery 
  • que eu amo SP (já sabia, mas ficou muito mais forte)
  • etc....

Acho que o mais importante disso tudo foi entender que preciso e quero ter por perto algumas pessoas. Que pertencimento demora. Que amizade é dedicação. E que não faz sentido ficar numa situação desconfortável só porque o mundo diz que "é assim mesmo" ou "no fim tudo dá certo" ou "tem que aguentar e acostumar".

Estamos de volta a SP, e voltaremos ao RJ diversas vezes certamente.

quarta-feira, 29 de novembro de 2017

Devaneios de uma mente gorda

Olho a mesa ao lado de canto de olho, inconformada, sempre fico pensando que tipo de pessoa larga um queijo brie quentinho com um molho de trufas pra trás? Sério! Isso aconteceu na semana passada e eu continuo indignada só de lembrar. A dupla que estava sentada ao nosso lado no restaurante largou pra trás tranquilamente metade dessa entrada, que vinha servida com pedaços de pão quentinho.

Por mais que eu tente comer menos, por mais que eu saia de casa determinada a só comer o prato principal, tem certas coisas que eu não tenho maturidade, e queijo brie é uma delas... E eu fatalmente pergunto pro Renato como quem não quer nada "você vai querer entrada?" torcendo pra que ele queira rsrsrs. E ele quis, e brigamos pelo último pedaço de pão que ainda estava quentinho, porque sou dessas que come rápido pra não esfriar.

Pra além do queijo, quase sempre eu tenho essa reação quando largam porções pra inacabadas. Não me identifico com esse tipo de gente que pede uma porção de bolinho de arroz e deixa um ou dois pra trás esfriando pra todo o sempre. Mano! Devia ser proibido isso. Aquele bolinho quentinho e crocante, feito pra comer na hora tomando alguma coisinha e o ser humano pede e não come tudo? Não posso com isso!

Eu gosto de gente que come, e gosto de carboidrato, e gosto dele principalmente a noite [sim, isso explica algumas circunferências kkkkk]. Gosto de gente que valoriza a comida, e que em respeito a comida se delicia de verdade comendo o queijo brie quentinho e raspando o molho de trufas no último pedacinho brigado de pão.

Não gosto de esperar uma conversa terminar pra começar a comer um prato que acabou de chegar a mesa, quentinho. E detesto ver gente tomando sorvete devagar, enquanto ele derrete inteiro, ah, que falta de poesia....

Foi apenas um desabafo de uma mente eternamente gorda, que felizmente está dentro de um corpo que gosta de exercícios e tem disciplina, e que só por esse motivo não é obesa como os pensamentos. =)

segunda-feira, 14 de agosto de 2017

Minha história com a Rita Lobo

Eu sempre acho que as coisas que passam pela minha cabeça são irrelevantes para as pessoas. Tenho um insight e penso 'quem iria se importar com essa história?'. Pra que escrever sobre isso? Quem vai querer ler? Fico pensando que nem tenho tanta profundidade pra falar de certos temas. Fico remoendo um início de texto enquanto escovo os dentes, ou enquanto dirijo, ou picando ingredientes pra uma receita. Por algum motivo eu deixo passar (na maioria das vezes) e ai esse blog fica assim paradinho, quando na verdade minha cabeça tá com um milhão de temas...

Só que hoje eu assisti a um episódio da Cozinha Prática com a Rita Lobo em que ela divide memórias da família. O personagem de hoje foi seu avô e ela mencionou coisas que poderiam ter sido ditas por mim dada a semelhança do que ela descreveu. E não por nada específico, não por sermos as duas descendentes de italianos, ou porque eu gosto de cozinhar, mas talvez porque ela tivesse pelo avô dela o mesmo amor que tive pelos meus. Ela foi cativada por ele com o mesmo amor leve com que meus avôs me cativaram. Isso é tão simples, isso é tão grande, isso é tão humano. Como não se identificar? Como não querer ver o episódio todo? Chorei.

Ela disse mais ou menos assim:

"Ele foi a pessoa mais feliz que eu conheci, e olha que sorte ele ser meu avô"
"Com o vovô eu aprendi a tomar café bem forte de manhã... e tomar vinho com as refeições..."

A pessoa mais feliz que eu conheci foi meu avô Sebastião. O mais bem humorado e o abraço risonho de que mais sinto saudade. E café tem que ser forte, né? Nada de água de batata, já diria Lauro Pesente... E toda vez que eu dou o primeiro gole de um vinho tinto eu também lembro dele... Vovô Lauro, a presença de que mais sinto falta.

Chorei de novo.

No fim acho que é isso, a vida é muito mais simples do que eu fico imaginando. As pessoas são muito mais normais e se interessam sim pelo trivial. Assim como eu gostei de me ver representada na TV é bem capaz que alguém se sinta representado no que eu escrevo. E quem sabe a Ana Holanda estivesse mesmo certa quando certa vez disse 'continuem escrevendo', 'a sua história tem sim valor'.


segunda-feira, 24 de julho de 2017

"YOU WISH"

Hoje eu fui a academia e lá vi uma mulher que tem um corpo que eu acho lindo. Na verdade tem várias mulheres com corpos bonitos por lá, mas tem uma que eu acho mais gata - to falando de corpo bonito, malhado, bronzeado. Dessas mulheres normais, que trabalham e fazem academia e certamente fazem dieta.

Quando eu vejo essa mulher eu penso "nossa, queria ter o corpo igual ao dela". Só que hoje essa mulher estava usando uma camiseta com o seguinte dizer "YOU WISH".

A camiseta dela estava falando comigo. kkkkk. Sim eu queria ter aquele corpo, fácil que eu queria. Mas será que eu queria ter a rotina dela? Será que eu queria o suficiente?

É fácil olhar a grama do outro e perceber como é verde, verdinha! É fácil querer tudo, e querer que seja fácil e rápido. Só que no geral não é fácil porque as coisas precisam ser construídas e na maioria das vezes exige o mínimo de dedicação....

É o mesmo caso de gente que vê os quilos que minha irmã emagreceu e diz pra ela "nossa eu queria ter a sua disciplina e ir a academia todo dia" - [que tal acordar as 5h da manhã como ela e ir a academia? Que tal preparar as marmitas da semana? Que tal se planejar?]

Ou dos amigos passaram na USP e ouviram na época "nossa, que sorte que você passou numa faculdade que não é paga" [Muita sorte é claro. Não é que a pessoa estudou loucamente. Não é que teve disciplina e leu todos aqueles livros obrigatórios... Foi sorte apenas, é claro]

Etc, etc, etc.

São diversos os exemplos de coisas que as pessoas dizem que querem muito, fazem cara de dó, se colocam como vítima dessa vida cruel e sacana, quando na verdade elas não partem para a ação. E continuam fingindo que querem e a vida fingindo que acredita.

Claro que eu tenho um monte de quereres superficiais, claro que eu sei que me saboto um monte de vezes... E isso é fundamental pra eu não me colocar num papel de vítima. E apenas retornando ao corpo seco da mulher gata da academia: eu queria ter aquele % de gordura baixinho, mas não queria parar de comer e beber. Na verdade todos os dias da vida eu quero ser mais disciplinada, mas na hora do Gin Tônica do fim de semana, na hora do hamburger sangrando, na hora do brie com geléia, entre outros, eu como mesmo. Então eu concluo que se eu prefiro comer e beber é porque eu quero mais comer e beber do que ser sarada. Pronto. Mas ja houve o tempo em que eu ia ao endocrino e secretamente torcia para haver algum problema na minha tireóide. Tenho vergonha disso, mas é verdade. Então hoje, eu sei que sou responsável por (também) isso, e não fico colocando a culpa na genética, nos padrões da moda, na minha altura, bla bla bla...

sábado, 22 de julho de 2017

A tranquilidade de não refletir sobre certos temas

Amiga 1: Nossa Gabis, você tem muita cara de maconheira. Você jura que você não fuma?
Google Images: veja
Gabi: Não, não fumo. Não quero fazer parte do tráfico.
Amiga 1: kkkkkkkk
Gabi: To falando sério.
Amiga 1: Como assim?
Gabi: Não quero ser o "playboyzinho da zona sul" (me referindo à cena do filme Tropa de Elite).
Amiga 1: kkkkkk, é serio isso?
Gabi: Sim, é sério isso. Quando você consome algo você está financiando o produto em si, seja lá de que forma que esse produto chega até você.
Amiga 1: Ah, ta... Mas quando eu fumo eu não vou comprar na boca não...
Gabi: Hum, então você planta? [que por um acaso até onde eu sei também pode ser considerado tráfico no Brasil]
Amiga 2: Ah, kkkk, pra Gabis consumir tem que ser orgânico.
Gabi: Não gente, pra eu consumir tem que não ser tráfico, não importa quem compra, importa que tem gente que tá fazendo isso, importa que tem criança aviãozinho, importa que tem traficante no meio.

Silêncio.

E não foi sempre assim. Realmente eu assisti Tropa de Elite no cinema e me senti no lugar do Playboyzinho da Zona Sul. Nunca mais fumei.
Não que eu fosse compradora, ou super consumidora de maconha. Já fumei sim. Poucas vezes e sempre de amigos... Mas pra mim não tem diferença de fumar de amigo, de ir comprar na boca, ou sei lá o que. Tem diferença de plantar em casa, envolve menos gente, mas ainda assim tá errado [de acordo com a lei do Brasil]. Não quero ser uma peça desse jogo onde muita gente inocente morre.

Essa opção é minha. Cada um faz o que quer. E nem gosto tanto assim te maconha na verdade. Dá sono. Mas fiquei meio impressionada com o fato de que essa minha postura pareceu uma surpresa e provocou risos em pessoas que estão ao meu redor. Tráfico é um tema tão delicado, um tema que mata tanta gente, um tema que ninguém quer estar envolvido, só que está. Period.

terça-feira, 11 de julho de 2017

Relacionamentos: uma ou outra reflexão

Não sei qual foi a primeira vez que escutei um homem dizer "nossa, se eu não fosse comprometido eu namorava com ela" ou, "ah se eu não fosse casado eu ia pegar tal mulher". Apesar de não lembrar quando foi a primeira vez que eu ouvi isso eu me lembro a primeira vez que isso me incomodou muito, faz mais de 10 anos. Eu tinha 20 e poucos anos, aquela idade em que a auto-estima não é das melhores, mas felizmente meu gênio sempre foi forte, sempre fui ardida, e questionava "opa, peraí, mas não é só você que tem que querer, bonitão".

Pode me chamar de louca, mas tá aí mais uma situação machista pra caramba que a gente escuta o tempo todo. E quando o tema é machismo, eu que sempre fui facilmente irritável e intensa nas discussões, vou em frente, em frente, em frente. Não evito confronto sobre esse tema que é extremamente importante, e extremamente atual, e todo mundo se diz a favor da igualdade de gêneros, mas nem todo mundo vive isso.

O lance é que por trás dessa frase está declarado - na minha opinião - que quem tem a decisão da escolha numa relação é o homem. E aqui obviamente estou generalizando, até porque não é todo homem que fala essa frase. Estou falando de uma turma, que me parece a maioria, mas é claro que não é todo mundo assim, nem todos pensam que quem escolhe a princesa é o homem.

A princesa indefesa que precisa tomar cuidado com o que fala, que não pode dar de primeira, ou que não tem amigos homens, que não pega no pé, e que preferencialmente não bebe muito. Entre outras situações que nem preciso elencar aqui. Imaginem só que calamidade se a mulher faz alguma dessas coisas e acaba não sendo escolhida, porque afinal, não é um material "namorável" ou "casável". Afe, que preguiça.

A verdade é que os homens só tem essa postura porque as mulheres deixam eles terem. Os meninos são ensinados desde crianças a serem machistas, e as meninas também. E ai cresce um monte de adulto com a cabeça fraca, com uma relação de superioridade que não é real. Cresce um monte de mulher que acha que precisa ser escolhida. Cresce um monte de cara achando que a coisa mais natural do mundo é escolher.

E como as mulheres deixam os caras continuam fazendo, e as mulheres não entendem o que está errado. Começa uma crise pra entender o que será que significa a mensagem de whatsapp. Ou a saga das cartomantes, ou a busca pelo signo ideal, ou variações do tom de voz...

Um desgaste.

Homens e mulheres esquecem que é preciso que os dois se escolham.

Então lembro da minha avó que sempre me disse pra eu me valorizar. E claro que o que ela quis me dizer todo mundo entendeu... Mas que tal pensar no sentido amplo do conselho? Valorizar, no dicionário: dar valor, importância a (algo, alguém ou a si próprio), ou reconhecer-lhe o valor que é dotado. Se dar valor, se reconhecer, se dar importância.

Acabo de ler um livro lindo da Milly Lacombe que fala muito de amor próprio. O Ano Em Que Morri em Nova York me fez refletir muito, sobre muitas coisas, sobre relacionamento, sobre a vida, sobre expectativas. Mas me fez refletir mais ainda, pela história da Milly, sobre o amor próprio. Sobre ser sua melhor escolha.

Esse livro é de uma mulher lésbica, sendo assim machismo não é um termo que se encaixe perfeitamente, mas foi o que me deu o click pra escrever esse texto que é um mix de rebeldia contra o machismo e uma reflexão sobre amor próprio. Muita gente pode não ver a conexão desses dois temas, mas quando falo de relacionamento entre homens e mulheres eu acho que tem muito a ver. E acho que esse click que aconteceu pra mim pode acontecer pra quem está lendo agora, pra repensar nessas situações que a gente permite, nessas mensagens camufladas, e principalmente pra reforçar sempre nosso valor. Reflexão não depende de gênero, amor próprio também não.