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segunda-feira, 20 de agosto de 2018

SDU - CGH | De volta a Sampa

No fundo no fundo eu queria muito ser carioca. Carioca no meu estereótipo do carioca, que é: moreno de sol, saudável, sports lover, e leve. Ficava me imaginando uma mãe linda com uma filhinhos queimadinhos pelo sol, e que tomam suco verde. Me enxergava me tornando uma tiazona saudável, de biquini de lacinho, nutrida por açaí e água de coco. Muitas vezes fui ao RJ a passeio. Muitas vezes achei que aquela sim era a forma equilibrada de se viver. Sempre gostei da leveza, do sair de rasteirinha, do não secar o cabelo e de encontrar a beleza natural das pessoas.


Quando surgiu a oportunidade de ir morar no RJ obviamente me deu um medinho. A segurança está uma bomba... O carioca tem uma fama terrível... Mas sei lá, eu (e o Re também) fomos total de coração aberto. A gente tinha certeza de que todos os cariocas seriam como os nossos amigos cariocas, que conhecemos fundamentalmente enquanto eles moravam moravam em SP.... As pessoas diziam "Rio não é São Paulo", e eu pensava, "mas porra, estamos falando de uma capital, de uma cidade grande, não deve ser tão diferente assim."

Mal sabia eu que "tão diferente assim" era eu.

Muita gente sempre me viu muito parecida com os cariocas. Concluo que o que temos de parecido é a melanina, a apreciação da beleza natural,  e talvez o gosto pelas estampas da Farm, que ainda assim, tenho alguma dificuldade de combinar bem.

Pra além disso, descobri que eu gosto de praia por tempo e temperatura limitados, e meu amor pela infra no geral é tão grande que eu de fato considero o RJ uma boa praia. Não quero ter que fazer trilha nenhuma pra chegar em praia linda, vazia, e água limpíssima. Na verdade eu nem ligo pra dar um mergulho, faço isso muito mais pra "tirar a urucubaca" do que por vontade de me refrescar. Inclusive já saio correndo pro chuveirinho de agua doce, porque odeio o meu cabelo cheio de sal. Também detesto a ideia de ir almoçar direto da praia com o biquini molhado embaixo da roupa. Acho desconfortável, feio, molha tudo...

Esportes? Prefiro com temperatura controlada... Não, não subi a pedra da Gávea, nem o Pão de Açúcar, e nem vou acordar as 5h da manhã pra correr. Não, obrigada!

Eu gosto mesmo é das coisas certinhas. Não quero ter que negociar com o vendedor de zona azul pelo preço de uma vaga, simplesmente porque a vaga tem um preço por um período determinado, fim. Não quero arranjar um jeito, e nem dar uma caixinha, uma cerveja, um almoço. Não quero, porque não é certo. Também acho que quando o carro estiver sujo eu tenho que levar num lava rápido. Não quero que o carro apareça limpinho na garagem do prédio porque não concordo com o funcionário do prédio usar o tempo e a água do condomínio pra fazer trabalho para os moradores.

Me fazia mal morar no bairro mais caro da cidade e ver vasilha de água pro cachorro escrito "I'M THE BOSS" ao lado de um mendigo todo sujo pedindo por comida, dinheiro, água...  Eu ficava nervosa ao ouvir alguém martelando qualquer coisa porque realmente achava que podia ser tiro. E me irritava sempre que precisava dizer que era moradora da cidade ao alugar uma cadeira na praia ou pedir uma água de coco, para assim não ser cobrada como turista (!!!!). Me irritava todas, todas, todas as vezes que um ciclista passava em altíssima velocidade na calçada, driblando idosos, crianças, quase fazendo strikes nos pedestres. Isso não pode ser normal. É pra se acostumar com isso, gente?

Exagero? Pode ser... Pode ser também que os hormônios tenham me deixado muito menos flexível (tenho certeza que influenciaram muito). Mas dia após dia isso vai irritando num nível que eu só conseguia me sentir um peixe fora d'água, uma paulistana séria, dura e inflexível.

Claro que nem tudo foi ruim. No RJ eu aprendi:

  • a fazer compras mais leves pra poder carregar em uma ou duas ecobags e voltar andando pra casa
  • que açaí bom é com pouco xarope e banana batida
  • que não secar o cabelo não mata ninguém, mas que dá um belo up no visual
  • que melanina é a melhor maquiagem, e que não há filtro no instagram que retrate isso tão bem
  • que padaria boa mesmo é a The Slow Bakery 
  • que eu amo SP (já sabia, mas ficou muito mais forte)
  • etc....

Acho que o mais importante disso tudo foi entender que preciso e quero ter por perto algumas pessoas. Que pertencimento demora. Que amizade é dedicação. E que não faz sentido ficar numa situação desconfortável só porque o mundo diz que "é assim mesmo" ou "no fim tudo dá certo" ou "tem que aguentar e acostumar".

Estamos de volta a SP, e voltaremos ao RJ diversas vezes certamente.

3 comentários:

  1. É uma experiência difícil mesmo. Pena que a gente se encontrou pouco. Nos veremos em São Paulo, em novembro estaremos por aí.

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  2. Bem-vinda a Sampa Gabi! Parabens por mais um excelente texto.

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  3. Welllll... com a experiencia de quem teve a oportundade de morar no RJ, eu entendo o seu sentimento Gabi. O RJ não é para todos, especialmente se você “não se acostuma” com o jeitinho da vida. Se você consegue driblar os malabarismos da vida de uma cidade cheia Up Side Downs como o RJ. Eu entendo e levo algo do RJ comigo, sempre levarei. Talvez isso seja a minha essencia. A adaptabilidade que eu tenho em relação ao espaço, às pessoas, à novas culturas e ao novo de uma forma em geral. É um preço caríssimo a se pagar. Muitas vezes não vale a pena. E eu, pessoalmente, digo que o RJ para mim é turistar e ver amigos, não para viver.

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