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terça-feira, 21 de junho de 2016

Sushis, mecânica, e amor pelo trabalho

Outro dia assisti no Netflix o documentário "Jiro Dreams of Sushi" e mesmo não gostando de sushi e achando o Japão longe pra caramba eu fiquei com vontade de ir naquele restaurante, e comer aquele sushi. Mesmo querendo ir de novo pra Nova York (me julguem) todos os anos da minha vida, e querendo conhecer mais da Europa eu quis ir comer aquela comidinha fria e crua que eu não sou fã... 

Fiquei pensando naquela carinha do Sr. Jiro - acabei de me lembrar que na minha infância também havia um Sr. Jiro... Que legal lembrar disso agora, ele tinha uma papelaria perto de casa e com muita frequência eu ia até lá comprar papel almaço, cartolina, esses itens que as crianças de hoje, na era do iPad, não devem nem saber que existem, enfim... 

Voltando ao Sr. Jiro do sushi, fiquei pensando nele com aquela carinha, com aquela resiliência, com aquele amor pelo seu trabalho. No documentário ele estava com 85 anos e continuava trabalhando todos os dias no seu restaurante. Ele fala da busca em melhorar os sushis, da qualidade dos produtos, da necessidade de os funcionários saberem o que é bom, porque só assim poderão oferecer bons produtos aos seus clientes. E ele trabalha, e trabalha e trabalha. E é premiado, e anda de trem, e tem 85 anos.

Na mesma semana que vi esse documentário fui buscar meu carro na oficina do Edgar que fica lá perto da represa Guarapiranga. Claro que antes eu fiz um pequeno drama, pensei  um milhão de vezes se pegaria muito trânsito, esbravejei por ter que fazer isso no meu último dia de férias, simulei o trajeto no waze, e me convenci que não levaria mais o carro lá porque é muito longe.... Fomos, Renato e eu de uber. Chegamos e lá estava o Edgar no seu escritório, com a fala mansa, e seu mouse em formato de carrinho. Perguntou sobre o carro da minha sogra, comentou sobre a festa junina da escola dos filhos, e de como estava tudo tão corrido sempre, e que agora estava trabalhando com a Hyundai - acho, mas que agora já não trabalhava  mais aos finais de semana. Entre um assunto e outro ele simplesmente imprimiu um relatório de tudo que havia sido feito no carro, anexou com o comprovante do cartão de crédito e chamou o Renato pra mostrar os reparos feitos. Ele imprimiu um relatório do que foi feito no carro. Mano, um relatório. Isso é o sonho de qualquer administrador de empresas. Obvio que ano que vem o carro vai pra lá de novo pra fazer revisão. Obvio! De quebra ainda pegamos uma vista linda na represa, as tardes de outono são definitivamente as mais bonitas.

Mas o que tem uma coisa a ver com a outra? Tem esse amor pelo trabalho que você não vê toda hora, ou eu não vejo toda hora, sei lá. A paz do Edgar no escritório dele parecia a mesma paz do sr. Jiro no seu restaurante, uma cara de gente feliz. Parecia que tudo estava em seu lugar pra esses dois homens, e longe de achar que eles estão acomodados, certamente tudo está tão bem pelo fato deles não serem acomodados. E isso ficou martelando na minha cabeça....

Sempre fico tentando entender qual seria o equilíbrio correto, qual modelo de trabalho é o melhor, questiono o mundo corporativo, questiono as pessoas, questiono o lucro exagerado, o consumo, no limite questiono até o capitalismo. Me questiono. 

Questiono se é bom trabalhar em escritório, ou seria melhor home office? Questiono se é melhor empresa grande ou pequena, estruturada, engessada, hierarquizada? E profissional liberal, e um consultório? Como seria a vida de um dentista o dia todo vendo bocas abertas? Carreira em Y? E ser piloto de avião, cada dia amanhecer em um país? E não ter rotina, e só ter rotina?

E de fato é importante parar pra pensar, não deveria ser comum a gente trabalhar 12 meses sonhando com as esperadas férias remuneradas de 30 dias, quando fugimos da nossa própria vida. Deveria?

Me pergunto se eu deveria postar esse conteúdo como se eu fosse uma pessoa influente, como se o mundo fosse ler e me julgar por isso, e como se eu o fato de eu expor esses pensamentos fosse uma coisa ruim. Me convenço que pensar, refletir, nunca poderia ser considerado algo ruim. 

Acho que presto tanta atenção nesse tema porque no fundo fico me perguntando se um dia eu vou gostar tanto assim de uma coisa. Se a minha vida vai ser completa a ponto de eu me identificar com um senhor de 85 que não parau de trabalhar ainda - por opção. Me pergunto se é comum viver fazendo contas de quanto tem que juntar pra poder parar de trabalhar/aposentar pra então se dedicar ao que gosta assim com o coração, que nem o Sr. Jiro, que nem o Edgar. Me pergunto se um dia eu vou estar rodeada de pessoas que gostam do seu trabalho (de verdade), que todas admiram os seus chefes (de verdade) e que todas estão ali juntas pra somar (de verdade). 

Quase me pergunto se esses dois exemplos são de verdade ou se a minha visão sobre essas histórias é muito romântica...  

Matéria sobre Sr. Jiro: Documentário Jiro Dreams of Sushi

Mecânica do Edgar: Willians Mecânica, Funilaria e Pintura. Rua do Sossego, 139 - Mar Paulista. São Paulo - SP

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