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domingo, 4 de agosto de 2013

"Seja a mudança que você quer ver no mundo"

Essa frase aí do título é do Ghandi, até onde eu li, pesquisei no Google e sempre soube de tanto que li essa frase multiplicada, e compartilhada em todas as redes sociais que conheço. Achei pertinente pro que vou escrever agora, talvez um pouco audaciosa, mas pra mim isso tem muito a ver com o comportamento e com o que vou escrever daqui pra frente.

Na empresa que eu trabalho tem uma ferramenta que se chama PDI - Plano de Desenvolvimento Individual. Essa ferramenta ajuda as pessoas a identificarem pontos fortes e fracos em algumas habilidades ou competências que a empresa acha importante o profissional ter. Fiz meu PDI e uma sugestão do meu chefe foi ler o livro: "Saia da sua caixa - liderança e auto engano" do The Arbinger Institute.

Desenvolvimento Individual (ferramenta do trabalho) pra mim não é desenvolvimento se eu não aproveitar nada da minha vida profissional pra pessoal. Simples assim. Nem que seja pra ter um pensamento mais crítico quando vou ao supermercado é preciso agregar a ponto de eu internalizar o que me foi passado.

Escrever sobre esse livro é bem difícil, inclusive conversei sobre meu chefe com ele que, me disse que o leu umas três vezes e teve percepções diferentes a cada leitura. Claro, ela, sempre ela, a maturidade fazendo a gente ver as coisas de outra forma.

Resumidamente, e bota resumo nisso, esse livro diz pra gente não se auto enganar, auto trair (sentimentos) - e agora estou aqui sem saber se as coisas que estou escrevendo têm ou não hífen - então aí entra a parte difícil porque sabotagem contra a gente mesmo é uma coisa simmmmples de fazer, né?! Como, por exemplo, começar a dieta na segunda feira, arrumar o armário amanhã e todas as listas que nascem no dia primeiro de janeiro e ficam lá guardadas em algum lugar da vida....

Pra tentar explicar o que diz o livro, e de novo isso é muito superficial, ele dá um exemplo. Quando eu digo ele é o personagem que está ensinando essa teoria do auto engano. Ele conta da época em que seu filho era bebê e no meio de uma noite ele ouve a criança chorar e pensa imediatamente "vou levantar pra ajudar minha esposa que deve estar muito cansada, afinal cuidou do bebê o dia todo, teve todos seus afazeres, sempre é ela quem levanta a noite....". Essa foi a primeira reação dele, foi o que ele QUIS efetivamente fazer se não existisse o mas... Palavrinha boa pra gente, né?! Mas, mas ele estava tão cansado da trabalheira que tinha sido aquele dia. Mas ele sempre se esforçou tanto pra levar dinheiro pra casa. Mas ele tem o direito de dormir as horas que precisa pra trabalhar de novo no dia seguinte.

Todos esses "mas" começam uma fase de "justificativa" pra que ele não faça aquilo que inicialmente "ele quis" fazer. Aí ele pensa, bom vou fingir que não ouvi, afinal que boa mãe é essa que não escuta seu filho chorar? Que preguiçosa é essa mulher que não levanta a noite pra cuidar da criança  enquanto eu estou aqui morto e acabado de tanto cansaço, será que ela não enxerga isso? Tudo isso além de justificar o motivo pro cara não sair da cama inicia uma fase de "culpar o outro".

A esposa que estava dormindo virou uma megera simplesmente pelo fato de que o cara pensou duas vezes ao invés de levantar logo e ver o que acontecia com o bebê. Ele se sente sensacional porque trabalha e ao mesmo tempo a culpa de ser uma droga de mãe porque ainda não levantou, ou sequer ouviu o choro da criança.

Durante o livro ele dá muitos exemplos. Qual a relação com a caixa? Bem a caixa é como se fosse se colocar no lugar do outro. O pai está na sua caixa dormindo. A mão também está na sua caixa e dormindo. Se o pai se põe no lugar da mãe como foi o que pensou de primeira - apesar de não ter colocado em prática - ele efetivamente vai lá e faz, só um parênteses aqui, é por isso que eu gosto do slogan da Nike "Just do it". Serve perfeitamente pro esporte e pra esse tipo de exemplo. Quando a coisa é humana e se somos minimamente do bem pensamos de forma humana, o que nos faz nos colocar no lugar do outro. Compaixão, já escrevi sobre isso por aqui.

Ele entra em outros detalhes como, por exemplo, a reação da pessoa que está sendo julgada. Quanto mais se tenta aproximar a pessoa mais ela vais e afastando, afinal o julgamento é tão grande, e a mente humana vai tão longe quando julga que o problema se torna muito maior do que é, e aí fica difícil de contornar a situação.

O livro fala multo sobre culpa. Culpar o outro nos leva a sentir culpa, aí fica aquela confusão na cabeça porque tema difícil é esse.... Quem nunca?! É algo que parece que não tem fim porque pensamos no que fazemos, e pensamos no que pensam de nós, e portanto começam a agir diferente conosco... Nessas o que a gente queria inicialmente tá indo ralo abaixo, começou um processo gigante, se ninguém parar isso, né?! E quem para numa guerrinha psicológica, que pode virar uma guerra gigante?! Se sou eu, do jeito que sou chata, teimosa e emocional não paro nunca. Por isso, e só por isso esse livro virou um post, porque ele poderia virar apenas mais um livro na minha vida... Mas consegui internalizar e perceber que SIM eu faço isso o tempo todo. Me fecho na minha concha, ou na minha caixa, e to ali protegidinha, afinal de contas, eu sou uma boa filha, uma boa esposa, uma pessoa toda aterefada, que trabalha, malha, cozinha, etc etc etc....

Conversei com o meu chefe enquanto lia o livro. Trazendo essa perspectiva ao mundo dos negócios seria algo como tentar extrair todo o emocional da coisa. Pra mim é bem difícil. Eu sou uma pessoa emocional, e o fato de ser dessas que se põe no lugar do outro as vezes pode atrapalhar, afinal negócios são negócios.

Resumo da ópera antes de colocar algumas citações do próprio livro: Faça o que você acha que deve ser feito de primeira. Com o mínimo de bom senso, é claro. Não se deixe enganar e não entre no ciclo vicioso de se auto defender, começar a colocar culpa nos outros, ficar se achando o bonzão. Saia da sua caixa, da sua zona de conforto e entre na caixa do outro. Se ponha no lugar do outro. Faça isso antes de começar a criar desculpas e julgamentos que só vão gerar desconforto. Como diz o pai de uma amiga: "primeiro tenha o problema, depois resolva".

Trechos interessantes do livro - se for comprar não leia:

"Auto traição:
1. Um ato contrário ao que sinto que deveria fazer por outra pessoa é denominado de 'autotraição'.
2. Quando traio a mim mesmo, começo a ver o mundo de uma maneira que justifique minha autotraição.
3. Quando vejo um mundo que justifica meus atos, minha visão de realidade torna-se distorcida.
4. Portanto, quando traio a mim mesmo, eu entro na caixa.
5. Com o tempo, algumas caixas tornam-se características da minha pessoa e as carrego comigo."

(...)

"Mas recuperei a visão no Arizona. Vi em mim um líder que estava tão seguro do brilhantismo de suas próprias ideias que não podia permitir o brilho de ninguém mais, um líder que se achava tão 'iluminado' que tinha que ver os empregados negativamente a fim de provar sua superioridade, um líder tão empenhado em ser o melhor que se certificava de que ninguém mais pudesse ser tão bom quanto ele."

(soco no estômago isso - by the way já li isso num outro livro, não lembro se Lya Luft ou Nuno Cobra - quando a gente precisa rebaixar o outro pra se sentir alguém... Feio!)

(...)

"Aturar tem a mesma deficiência que tentar mudar a outra pessoa: é apenas uma outra maneira de continuar a culpar o outro. Transmite a censura da minha caixa, que apenas leva aqueles a quem estou aturando a ficarem dentro da caixa."

"O que não funciona na caixa:
1. Tentar mudar os outros
2. Fazer o melhor possível para 'aturar' os outros
3. Ir embora
4. Comunicar-se
5. Implementar novas habilidades ou técnicas
6. Mudar meu comportamento" (...) - Bem, você não pode sair (da caixa) se continuar focado em si mesmo, que é o que está fazendo quando tenta mudar seu comportamento na caixa."

(...)

"De repente, por causa da característica básica de ser o outro das pessoas que continuamente se colocam diante de nós e por causa do que sabemos quando ficamos fora da caixa em relação a outras pessoas, nossa caixa é penetrada pela humanidade de outros. Percebemos nesse instante o que devemos ser, temos que honrá-las como pessoas. E nesse momento, no momento em que vejo o outro como pessoa, com necessidades, esperanças e preocupações tão reais e legítimas quanto as minhas, estou fora da caixa."

"Uma família, uma empresa, ambas são organizações feitas de pessoas. Isso é o que sabemos e aquilo que nos orienta na Zagrum".

Um comentário:

  1. Olá a todos, eu sou o chato, quer dizer o chefe...rs

    Gabi, fico feliz que a indicação do livro trouxe provocações para você. A figura da "caixa" pode ser interpretada de diversas maneiras, sendo uma delas como refugio. Refugio das justificativas, mas também como refugio para os nossos medos. Medos de errar, da decepção, do desconhecido e etc...

    Um provocação interessante é enxergar a caixa como nosso superego e o impulso de sair como o Id. Esta batalha secular gera resultados e um desses resultados são as nossas neuroses.

    Freud sabiamente disse: "Neuroses são o preço que a humanidade tem de pagar pelo seu desenvolvimento".

    Ótimas férias!

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