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terça-feira, 4 de julho de 2017

Sim ao 'não'

Lembro de uma vez ter comentado com alguma amiga que eu tive apenas uma boneca Barbie quando era pequena. Ela fez uma cara de espanto e perguntou: por que? E eu respondi simplesmente que eu tinha tido apenas uma Barbie porque não tínhamos grana pra eu ter mais de uma. Uma minha e uma da Rafa. Meus pais trouxeram de fora, da única viagem internacional que tinham feito até aquela data. Meu pai devia ter uns 30 anos, com duas filhas, devia ajudar os pais financeiramente. Minha mãe era professora. A gente estudava em escola particular, tinha clube, ia pra Santos sempre ver os avós e tinha apenas uma Barbie cada.

Do Google Images
Eu ouvi diversos "nãos" na minha infância. Pra coisas e pra atitudes. Eu fui a típica criança que "não é todo mundo". Eu não tinha todos os brinquedos, eu não tinha feito viagem internacional, eu não podia dormir na casa de amiguinhos, eu não podia ir mal na escola, eu não podia deixar de visitar os avós, eu não tinha roupa de marca (minha primeira foi da Pakalolo porque meus avós me deram de presente) e nem tênis de marca (o primeiro eu juntei todos os dinheiros que ganhei de presente na vida e comprei um New Balance na World Tenis). Eu não tive aquela boneca que dá pra maquiar, nem a Lu patinadora, e nem o pogobol. Eu não ganhei o Smurf que meu pai sempre me prometia - sacanagem pra caramba isso. Não tive festa no Mc, nem em nenhum buffet. Eu não tenho nenhum trauma por isso. Zero.

E eu cresci sabendo que eu não podia ter várias coisas e isso nunca foi um drama pra mim. Eu sabia que tinha um monte de coisas que outras pessoas não podiam ter. Eu já tinha ido na casa daquela faxineira que mencionei nesse post aqui. Eu via que nem todo mundo podia ter as mesmas coisas. Não lembro de meus pais sofrerem por isso, porque eles que me ensinaram que a vida era assim, e então tava tudo bem.

Com exceção do Smurf - que eu ainda acho muita sacanagem do meu pai - eu sabia sempre porque eu recebia os "nãos", porque era muito caro, porque eu tinha casa e não precisava dormir fora, porque família é a coisa mais importante, porque estar na média não vai te levar a lugar nenhum, porque um dia você vai sentir saudades dos seus avós, porque você não é todo mundo... Clássico!

Só que hoje numa conversa com uma mãe me veio de novo essa reflexão. Claro que não sem uns atritos, porque como dizem "eu sou muito firme nas minhas posições". Basicamente eu contestava o fato de um filho pedir uma coisa e a mãe se sentir na obrigação de atender o pedido. E claro que, como eu não tenho filhos ainda recebi aquela 'praguinha': "quando você for mãe você vai querer dar tudo pro seu filho, o que você tem e o que você não tem", me dizia a mãe.

Será?

Tomei um banho... Continuei pensando. Será que vou querer dar tudo? Será que vou queimar minha língua? E não resisti. Mandei uma mensagem pra minha mãe: "mãe, hoje a tarde tive uma conversa assim assado, falei isso e aquilo e a resposta foi que quando eu for mãe eu vou saber o que é querer dar tudo pra um filho. O que eu posso e o que eu não posso. Mãe, eu to doida por achar que as crianças não tem que dominar os pais?"

E a resposta de pertencimento que acalma meu coração e me mostra que eu realmente sai daquela barriga: "Não está louca não. Hoje em dia parece que tudo está diferente. A criação, sei lá".

Minha mãe também não se conforma com o tanto de "personalidade" que as crianças tem, e muitas vezes acha que hoje em dia "os pais são muito moles" rsrsrs. Bom, ela tem três filhos e ela pode falar. Eu só posso por aspas no que ela fala.

Concordamos que os nãos surgirão mais cedo ou mais tarde, e na nossa opinião é melhor começar a escutar os "nãos" em casa e começar a lidar com eles desde sempre. Certamente vida não será tão gentil quanto os pais podem ser ao dizer a palavrinha chata que escutaremos pra sempre nessa vida.

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