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quinta-feira, 10 de novembro de 2016

A expectativa nossa de cada dia

A primeira vez que eu abri um coco foi uma experiência intensa, trabalhosa, chata. A ideia inicial era comprar um coco na feira e já ter a sorte de pegar um saquinho cheio de quadradinhos branquinhos lindos. Mas quem acorda tarde e chega no fim da feira não acha mais o vendedor de cocos... O que me restou foi comprar no supermercado mesmo. Coco comprado, fui abrir a querida e deliciosa fruta. Peguei uma faca e tentei martelar o coco, tipo como se eu tivesse fazendo uma escultura, ou uma reforma numa parede, não sei bem, rsrsrs. Nada... Nem sinal da casca do coco se abalar.

Dei um google... Vi um video... Descobri que o ideal mesmo era segurar o coco com uma mão e com a outra ir martelando ele (sim, com um martelo da caixa de ferramentas) em toda a sua extensão. Uma hora ele racha. A água vai caindo toda e por mais que eu quisesse aproveitar tudinho, a casca do coco vai sujando a água que cai de dentro, porque sua mão já está cheia de casca, e ai vira uma lambança, e eu tive aflição de tomar aquele líquido. Depois de aberto a instrução do vídeo era enfiar a faca na poupa da fruta e dar uma viradinha até que ela se soltasse da casca. Tchanammm, e assim foi. Mas tipo, precisa fazer isso umas 20 vezes, ou mais, porque os pedaços não se soltam facilmente. E demora.... E demora... Mas eu estava em busca do meu lanchinho ideal para o meio da tarde, ou para as minhas fomes da madrugada, e todo esforço valeria a pena. Sim, eu to sempre na dieta... Sim, eu ainda preciso de dieta.  E considerando o tanto que eu gosto de comer eu vou precisar de dieta pra todo sempre, amém, rsrsrs. Coloquei o coco no freezer e admito que no fim eu até fiquei economizando os últimos pedaços só de preguiça de abrir outro coco...

NY no inverno

Quando voltei a NY quase 20 anos depois da primeira vez que estive lá com meus pais eu estava muito preparada para dias frios. Tão preparada que eu estava mal humorada antes de embarcar - ok, isso acontece em várias situações da minha vida. Eu tinha certeza que nem seria tão legal assim, afinal de contas, quem pode ser feliz com temperaturas negativas? Como alguém é feliz tendo que pegar emprestado casaco de neve? Por que estava fazendo tanto frio em março? Vou aparecer em todas as fotos com a mesma roupa... Entre outras preocupações e chatices.

Só que foram dias deliciosamente gelados. Numa cidade apaixonantemente linda, com suas árvores peladas, e seus ambientes aquecidos.

Foi demais mesmo, e apesar do fato de eu ter certeza que NY é foda fodástica, eu sei que o fato de eu estar com a expectativa baixa ajudou muito pra que essa viagem fosse tão legal.

De volta ao coco....

Hoje eu abri outro coco. Ele estava na minha fruteira há 2 semanas. Eu olhava pra ele e pensava: pqp vou ter que abrir esse coco. Deixava passar um dia, achava que ia estragar, deixava pro fim de semana, deixava pro dia que a faxineira viesse... Bom, hoje eu abri o coco. Peguei o martelo, separei um bowl pra escorrer a água. Faquinha pra tirar a poupa. Espirra daqui, espirra dali, eu abri o coco, separei nos potinhos, pus aqueles pedacinhos gordurosos e brancos no freezer e pareceu tão rápido. Missão cumprida. Achei tão de boa dessa vez.

Tenho certeza que não criei nenhuma técnica sensacional de abrir cocos, portanto só posso acreditar que a expectativa nesse caso também influenciou, e muito, a minha sensação de missão cumprida.

E aí é isso né... O tanto de expectativa que um "serumaninho" é capaz de criar é uma coisa louca. Eu poderia citar um milhão de exemplos em que a expectativa ferra com tudo, mas vou me limitar a só mais um exemplinho da vida da maioria das pessoas: a expectativa em relação ao outro. Não sei de onde nasce isso, se é uma vontade louca de ser validado, se é um querer de conto de fadas, se é um 'se achar mais importante que o resto do mundo', se é colocar no outro uma importância maior que ela tem (escrevendo aqui e agora acho muito que pode ser isso), mas o fato é que eu já vivi (e vivo) muito isso, e tenho amigos que já viveram, e todos vamos continuar vivendo.... Expectativas em relação a relacionamento amoroso, amizade, emprego, tipo tudo, tudo que tem gente envolvida rsrsrs.

Refletindo sobre esse tema depois de um happy hour com uma amiga acho que ainda vou precisar de alguns anos de terapia pra relativizar as coisas. Sim, relativizar. Dar o tamanho certo pra cada tema da vida. Pra entender que demorar mais 5 ou 10 minutos pra abrir um coco não vai acabar com a minha programação do fim de semana. Entender que hoje em dia as pessoas mandam recados no facebook no dia do aniversário, em vez de ligar como se fazia há anos, e que tá tudo certo - algumas pessoas ainda ligam, mandam mensagens lindas, gravam audios e me emocionam verdadeiramente. Entender que o trabalho é um contrato de prestação de serviço, e ele pode acabar. Entender que não é todo mundo que está interessado em namorar. Entender que até o amigo mais legal tem dias ruins. São tantos exemplos, mas acho que no fim das contas, o mais difícil ainda é entender o tamanho verdadeiro que o outro, ou a coisa, tem na nossa vida. Verdadeiro, não o que imaginamos que eles tem. Ou o mais difícil seria saber o nosso tamanho verdadeiro? Como eu digo de vez em quando: vou precisar de umas duas ou três vidas pra chegar a essa conclusão.


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