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quinta-feira, 27 de agosto de 2015

Sobre amor, dor, e cobras de duas cabeças

Das coisas difíceis da vida, ver quem a gente ama sofrer me parece a pior. Já passei por poucas e boas e por sobreviver (junto com a minha famílias) sempre fui considerada uma pessoa forte. Há dois dias a vida de novo veio mostrar pra mim e pra minha família como ela é frágil. Perdi um primo irmão. Isso não é algo de se imaginar quando se tem 30 e poucos anos... Como já dizia o video do sunscreen os problemas surgem nas nossas vidas em algumas terças feiras a tarde... No caso foi numa segunda feira a noite, já dando aquela olhada nas redes sociais minutos antes de dormir, quando, de repente, vem uma mensagem "Gá, tá acordada?"... Só pode ser merda. E era... "O Bruno sofreu um acidente e morreu".

Mano... Não deve existir sentimento pior do que receber essa notícia. E pra mim o pior de tudo isso é pensar nos que ficam. Se eu disser que me preocupei comigo vou estar mentindo. Queria saber era como minha tia ia segurar essa onda? Como a vida pode fazer isso com alguém que já perdeu o irmão de forma tão bruta? E meu tio? E as minhas primas? Vivendo o que um dia a minha tia viveu ao perder o meu pai, o irmão dela? Os filhos... Bom... Esses... Cara que bosta. Eu sei parte do que eles vão passar, e graças a Deus eu sei que eles vão superar. Mas viver isso com 8 e 12 anos... Minha avó de 87 anos, como reagiria? Aguentaria perder mais alguém assim do nada? Meus tios perdendo um sobrinho...

Eu juro que não sei o que exatamente a vida quer nos ensinar, mas alguma coisa tem. Não é possível a gente passar por tanto sofrimento "a toa". Doeu meu coração ver a Rafa e o André tão pequenininhos ao lado do caixão a noite toda. O choro grosso de quem está vivendo mesmo o luto, de quem está vendo o pai ali pela última vez. Minhas primas e meus tios tentando se manterem de pé, um dando força pro outro. A família toda por ali. Os amigos. A turma da igreja. E aquele banner com a foto dele...

Aquela foto. Ele. Lindo. Meu primo caçula de Dourados. Meu primo que contava um milhão de histórias de pescador, que a gente ria horrores quando ele falava da cobra de duas cabeças, ou das pescarias no pantanal... Eu tinha ciúme porque meu pai era apaixonado por ele. Ele podia brincar com o autorama, e eu e a Rafa não... Os dois se amavam intensamente. E quando meu pai morreu ele veio pra SP. E passamos bastante tempo sem nos ver. Ele teve dois filhos. E eu sempre achei uma loucura um cara tão novo ter dois filhos já. Eu via as fotos deles na casa da minha avó... Via na internet... E era isso.

Até que fomos a Dourados há 2 anos e estive mesmo com eles. Ele um paizão, desses pais bravos que eu acho o máximo, desses pais presentes, desses pais que os filhos são apaixonados. Duas crianças lindas e carinhosas. E olha que eu não sou de ficar achando criança fofa, quem me conhece sabe... A Rafa e o André são extremamente carinhosos. Daquelas crianças que abraçam de verdade e tem aqueles olhinhos que passam amor pra gente. Aquela duplinha que vai na casa da bisa e pede a benção. E nos vimos no ano passado de novo. Os mesmos abraços apertados. A Rafa mais quietinha, o André mais espoleta, um Bruninho.

Esse ano ver os dois como eu vi me matou. Me fez lembrar da minha vida, do meu irmão que tinha a mesma idade do André quando meu pai morreu... Da minha mãe que teve que ser mãe e pai da gente, da família toda que estava sempre por perto pra nos apoiar quando precisássemos. Graças a Deus estamos aqui vivos, fortes, e talvez um pouco mais calejados, mas estamos aqui. E isso me dá uma esperança gigante de que vai ficar tudo bem.

Eu acredito que agora os xodós estão juntos e com o Sebastian. Acredito que tudo vai dar certo. E tenho certeza que a família vai ficar cada vez mais forte e unida.

De aprendizado: o valor da vida. O valor das relações. O valor do que realmente importa.

Um salve a toda a intensidade do meu primo. A toda alegria daquela cara linda dele, daquele banner, de quem ele realmente sempre foi. Um salve pela "loucura" de ter dois filhos tão novo, e deixar a vida dele vivendo em outros dois corpinhos aqui com a gente. Um salve para as capivaras que passeiam no shopping e para as cobras de duas cabeças.


2 comentários:

  1. Salve prima amada! Obrigada pelo conforto das palavras e pelo exemplo de superação! Amo vcs!!!

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  2. Salve prima amada! Obrigada pelo conforto das palavras e pelo exemplo de superação! Amo vcs!!!

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