Marcadores

Da Gabi (160) Dos queridos (54) Amor (46) Por aí (35) Dicas (28) Família (28) Comidas (18) Viagem (16) Chatices (15) Esportes (13) Trabalho (12) Livros (9) Música (9) Crianças (5) Filmes (2) Moda (2) Sampa (2) PequenasFelicidades (1)

Instagram

terça-feira, 12 de fevereiro de 2013

"A tristeza essa dama"


Acabei de ler um texto da Milly Lacombe http://revistatpm.uol.com.br/revista/128/colunas/viva-a-tristeza.html que menciona a tristeza dessa forma, a chama de dama... E realmente é, porque realmente quando a gente menos espera está seduzida por ela, totalmente envolta, independente de ser no meio do feriado de carnaval.

Em meio a programas de índio e fotos bonitinhas postadas no Instagram meu coração estava se apertando cada vez mais. Aproveitando a ideia da revista onde a Milly Lacombe escreve, que vida perfeita só existe no facebook, lá estava eu tentando, ou mostrando imagens bacanas, realmente bacanas, de um programa que não era o que eu queria estar fazendo....

E fui indo... Eu de carnavais em matinê quando criança, de confete e serpentina. De gliter no cabelo. De bailes do interior.... 

Meu carnaval teve os seguintes programas de índio:

#1: Ceagesp - aquele berreiro de feira 5x maior que uma feira tradicional. “Olha a laranja, olha a melancia fregueza”.... “Limão tahiti, limão tahiti R$3 a dúzia”... Tudo berrando. Sem contar a barraca do peixe, do frango, com gelo derretendo, escorrendo tudo, o cheiro dominando. Eu só topei o programa porque o Re queria ir, ele adora feiras. E porque eu sabia que a parte de plantas estaria lá e lá sim eu seria minimamente feliz e faria minhas aquisições favoritas. 

#2: Embu das Artes - outro programa que eu fazia muito quando criança, mas que definitivamente não estava afim. O Rê já queria fazia tempo e minha mãe ficou bem animada. Lá vamos nós. Estrada de Itapecerica pra lembrar os velhos tempos, e nossa, como tudo mudou... Estacionamento infernal. Gente que saia pelo ladrão, feirinha com aqueles artesanatos que eu morro de medo de ganhar, tipo um pedaço de madeira com meu nome cheio de purpurina e o significado de Gabriela. Finalmente entramos numa viela e ai sim eu fui feliz. Antiquários, móveis antigos, artes diferentes. Ok. Acalmei. Passamos na volta pelo condomínio onde vivi meus primeiros meses de vida e meu avô Sebastião os seus últimos. Dá uma coisinha por dentro....

Cheguei em casa, arrumei minhas flores novas, postei no Instagram.... Dormi. Acordei.... Dormi de novo.

Dia seguinte:

#3: Santa Ifigênia. O programa inicial era ajudar a minha mãe a comprar umas bijus, mas paramos num estacionamento perto, e ai já que a fonte do modem queimou nada como estar lá e comprar uma baratinha. Anda anda anda. É abordada por mil pessoas... “fonte de computador, notebook, capas para iPhone, iPad” - tudo berrando e as pessoas se multiplicando e o calor também, ó que coisa.

# 4: 25 de março. Aquilo deixou minha mãe tão atordoada que ela já não sabia mais o que fazer e eu que sou uma pessoa que tem foco e se irrita facilmente já não aguentava mais ouvir “olha o papa bolinha”, “depilador para nariz e orelhas” - gente, não sou obrigada a saber por um ser que berra que existe um depilador de nariz e orelhas, e que provavelmente é falso. Ai. Aquela ladeira porto geral tinha mais gente que todos os blocos de carnaval e o meu nível de stress ultrapassava meu corpo. Sede. Mas não da pra tomar água quando você já quer fazer xixi e não existe nenhum lugar decente por perto. Fome....

# 5: Pastel no mercadão. Será que mais alguém teve essa idéia? Imagina! Lotação! Mesa? Só pra daqui dois dias, isso sem contar que o estacionamento que deixamos o carro tinha hora pra fechar, e ai ferrote, né, tem que comer correndo, e continuar ouvindo o berreiro das senhas de cada pedido, dos garçons.... A essa altura eu não tinha mais controle sobre mim. Eu sabia que estava insuportável, eu sabia que ninguém tinha nada a ver com isso mas eu estava lá... E eu ouvi - quem mandou eu estar insuportável - “assim você fica chata filha, todo mundo aqui está na mesma situação.”

Voltei pra casa pensando por que eu não falei NÃO? Por que eu simplesmente não falei que não queria ir aqueles lugares? Por que eu não estou fazendo algo que tenha a ver com Carnaval? Por que eu perdi a alegria que eu tinha de ver desfile, cantar marchinhas, estar com as pessoas? O que está acontecendo comigo? Quem sou eu de verdade?

Não sei, só sei que a dama estava comigo, e eu chorei como criança.... E eu dormi como se alguma força maior tentasse me fazer esquecer aquilo. E acordei com um pedido de desculpas da minha mãe. Desculpas? Desculpas? Mas a grossa, mal humorada, chata fui eu. Desculpas por que eu simplesmente não sei falar não e acabo EU estragando tudo? Chorei mais... Li, chorei, escrevi email, chorei... Litros eu diria que chorei ontem....

Estou tentando com força ser feliz e fazer algum programa que Eu queira.... Hoje é terça ainda há chances. Vamos ver quando a dama me larga... Mas quem passar pelo meu Instagram vai achar que eu estou realmente me divertindo muito... 

Um comentário:

  1. Gabi: esse post foi, por alguns momentos, MUITO engraçado; em outros MUITO triste. Foi sempre muito verdadeiro, transmitindo suas experiencias que nos aproximam, que nos fazem humanos e menos ilusorios - como a "vida do instagram". Vamos vivendo os altos e baixos, juntos. Fique em paz. Beijo. Danilo

    ResponderExcluir